O ano é 2026, um surto de meningite em Kent, no Reino Unido, mata dois estudantes – um da Universidade de Kent e outro do ensino médio – e deixa o condado em estado de alerta, com 34 notificações de casos, sendo 23 confirmados e 11 em investigação.
Ao que parece, o foco das transmissões é a boate Club Chemistry, mas as autoridades alertam que os jovens presentes no local, entre os dias 5 e 7 de março, podem estar incubando a bactéria e, ao voltarem para casa, infectam seus familiares. Ou seja, o que ainda está restrito a Kent pode se espalhar pelo Reino Unido e, infelizmente, para outras localidades, como já aconteceu. Na França, por exemplo, o Ministério da Saúde confirmou o registro de um caso ligado ao surto, uma pessoa que frequentou a Universidade de Kent.
Corrida contra o tempo
Após o ocorrido, centenas de estudantes foram à Universidade de Kent para se vacinar contra a meningite B (MenB), de origem bacteriana, mais rara e letal que a viral. Foram aplicadas mais de 5,7 mil vacinas e mais de 11 mil doses de antibióticos distribuídas.
No Reino Unido, os bebês começaram a ser vacinados rotineiramente contra MenB apenas em 2015.
No Brasil
Aqui, a infecção bacteriana também avançou no início de 2026, ultrapassando a viral. Segundo o Ministério da Saúde, a MenB totaliza, hoje, 59% dos casos, sendo que 2 em cada 10 pessoas vão a óbito. Um terço dos pacientes são crianças com menos de 9 anos, sujeitas à maior letalidade.
No dia 24 de março, foram confirmados casos de meningite entre crianças de três unidades escolares no distrito Martinho Prado Jr., em Mogi Guaçu (SP). A prefeitura da cidade suspendeu as atividades preventivamente nos três locais, até 30/3: duas creches para crianças de 0 a 3 anos e uma escola para 4 e 5 anos.
Até a postagem deste texto, o número exato de crianças diagnosticadas ainda não havia sido confirmado pela prefeitura.
Transmissão e sintomas
A meningite bacteriana é contraída pelo contato próximo com saliva, gotículas de tosse ou espirro de pessoas infectadas ou assintomáticas. O risco é maior em ambientes fechados, aglomerados ou ao compartilhar objetos pessoais.
Ela é mais comum em crianças pequenas, adolescentes e jovens adultos. Seus sintomas podem indicar outras doenças, confundindo o diagnóstico e atrasando o início do tratamento, crucial para sua cura.
Portanto, fique alerta aos sintomas iniciais: dor de cabeça, febre, sonolência e rigidez na nuca. A doença progride rápido, surgindo manchas na pele. Quando leva à infecção generalizada e atinge as membranas protetoras que envolvem o cérebro e a medula espinhal, pode ser fatal.
Prevenção
Para evitar a meningite B e outros principais causadores da doença, além de suas variações, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) recomenda as seguintes vacinas no Brasil:
- BCG: dose única ao nascer
- Pentavalente (DTP+Hib+Hep B): doses aos 2, 4 e 6 meses
- Pneumocócica 10-valente (PCV10): doses aos 2 e 4 meses, reforço aos 10 meses
- Meningocócica C conjugada (MenC): doses aos 3 e 5 meses
- Meningocócica ACWY conjugada: 1 dose aos 12 meses ou entre 11 e 14 anos
Infelizmente, a vacina contra a MenB não faz parte do calendário do SUS. As doses estão disponíveis apenas na rede privada, com valores que giram entre R$ 600 e R$ 800, o que dificulta o acesso da população de baixa renda. No entanto, tramita no Congresso, em 2026, um projeto para sua incorporação na rede pública, em crianças menores de 1 ano.


