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Parece ficção científica, mas aconteceu, em Londres.

A notícia é recente. A mãe, Grace Bell, nasceu sem útero, submeteu-se a um transplante de uma doadora falecida e se tornou a primeira mulher no país a dar à luz após receber o órgão.

O saudável bebê é resultado de 25 anos de pesquisa para esse tipo de procedimento. No entanto, não é o primeiro.

Somos pioneiros

Em 2017, o Brasil registrou o primeiro nascimento mundial de um bebê, fruto de transplante de útero de uma doadora falecida. A cirurgia ocorreu no Hospital das Clínicas da USP (HC-FMUSP), em uma paciente com síndrome de Rokitansky (anomalia congênita rara, em que a mulher nasce sem útero e com ausência ou encurtamento da vagina). O transplante foi seguido de fertilização in vitro e o nascimento de um bebê saudável se tornou um marco no tratamento da infertilidade uterina.

Até então, a Suécia era o primeiro país a realizar o transplante de útero, em 2014, porém, de uma doadora viva que tinha 61 anos e estava na menopausa.

O futuro

O sucesso do caso brasileiro vem abrindo portas para o transplante de útero de mulheres falecidas, eliminando o risco cirúrgico para a doadora viva e aumentando o número de órgãos disponíveis.

Como se trata de um processo complexo, que inclui conexão vascular e fixação do órgão, novas técnicas vêm sendo estudadas, como a cirurgia robótica, para diminuir o tempo na mesa operatória, o risco de rejeição e complicações.

Útero de substituição

No entanto, é importante lembrar que o transplante tem como objetivo permitir uma ou duas gestações, sendo removido após o(s) nascimento(s). Isso é necessário para evitar o uso contínuo de medicamentos imunossupressores, que diminuem a imunidade e aumentam o risco de infecções e, a longo prazo, o desenvolvimento de câncer.

 

 

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