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Durante décadas, o câncer de pâncreas esteve entre os tumores mais difíceis de tratar. Como geralmente não apresenta sinais em estágios iniciais, o câncer de pâncreas frequentemente é diagnosticado quando já está avançado, muitas vezes com metástases, e apresenta uma das menores taxas de sobrevida entre os tipos mais comuns de câncer.

Mas um anúncio recente, apresentado no American Society of Clinical Oncology (ASCO 2026), considerado o principal evento mundial de oncologia, emocionou mais de 10 mil médicos, que aplaudiram de pé os resultados obtidos com a fase III do estudo “RASolute 302”, trazendo uma nova esperança a pacientes e especialistas.

O estudo avaliou o medicamento daraxonrasib como terapia-alvo oral para bloquear a proteína KRAS, responsável por ocasionar mais de 90% dos casos de câncer de pâncreas.

Proteína KRAS

Esta proteína funciona como um “interruptor”: liga e desliga sinais que controlam o crescimento celular. Quando sofre uma alteração genética, esse interruptor não desliga e passa a enviar continuamente sinais para que as células se multipliquem. O crescimento sem controle favorece o aparecimento, desenvolvimento e progressão de tumores, especialmente no pâncreas.

Até então considerada um alvo inalcançável pela ciência, a proteína KRAS agora pode ser bloqueada pelo daraxonrasib, terapia-alvo oral desenvolvida pela Revolution Medicines.

Ensaio clínico

O estudo envolveu cerca de 500 pacientes com câncer de pâncreas metastático que já haviam recebido tratamento anterior. Os resultados são animadores:

  • Sobrevida global mediana de 13,2 meses com daraxonrasib
  • Sobrevida global mediana de 6,7 meses com quimioterapia convencional
  • Redução aproximada de 60% no risco de morte
  • Menos efeitos colaterais graves do que os observados com quimioterapia
  • Cerca de um terço dos pacientes apresentou estabilização ou redução significativa dos tumores

Próximos passos

Agora, o medicamento passará por quatro etapas regulatórias:

  1. Pedido de aprovação junto ao órgão regulador dos Estados Unidos (FDA)
  2. Aprovação por outras agências internacionais
  3. Submissão à Agência Nacional de Vigilância Sanitária no Brasil (Anvisa)
  4. Definição de preço e incorporação pelos sistemas de saúde

Segundo estimativas da Revolution Medicines e de especialistas, a aprovação nos EUA pode ocorrer entre o final de 2026 e o início de 2027. No Brasil, a chegada comercial deve ocorrer alguns meses ou até alguns anos depois, dependendo dos processos regulatórios e de incorporação ao sistema de saúde.

O avanço reforça a importância da pesquisa científica, da inovação e da atualização contínua dos profissionais de saúde. Em um cenário de rápidas transformações na oncologia, acompanhar descobertas como esta é fundamental para ampliar as possibilidades de cuidado e oferecer tratamentos cada vez mais precisos aos pacientes. Não tem como não se emocionar.

Fontes:

Rede Press

Oncology News Central

The ASCO Post

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