Pesquisa aponta: estresse é o problema que mais afeta a qualidade de vida dos médicos brasileiros.
Os dados se baseiam em mais de 2.000 profissionais, de todas as regiões do Brasil, que responderam um questionário on-line, entre julho e agosto de 2024. Os dados coletados foram validados pela escala Afya MedQoL, desenvolvida pelos próprios pesquisadores.
Trata-se do primeiro levantamento nacional sobre o bem-estar de médicos e médicas, que foi publicado recentemente na revista científica British Medical Journal Open.
Foco da análise
O objetivo da pesquisa foi verificar como anda a qualidade de vida e a saúde mental dos médicos brasileiros, a partir de três pontos principais: percepção geral do profissional sobre a própria vida; como ele avalia o clima organizacional e a segurança psicológica do local de trabalho; e como analisa o contexto do ambiente de trabalho, a pressão por atendimentos e a carga horária.
Resultados
O estresse é o fator que mais afeta os profissionais, em especial as mulheres, os médicos em início de carreira e aqueles com cargas horárias semanais superiores a 60 horas. Neste último caso, quanto mais horas, maior o salário. No entanto, os que recebem R$ 25 mil ou mais não apontam qualidade de vida melhor. A velha máxima “dinheiro não é tudo” se encaixa na pesquisa, quando pensamos que há momentos em que é preciso abrir mão dos ganhos financeiros para manter o equilíbrio e a saúde mental.
Já os profissionais recém-formados são os que mais sofrem com o estresse, porque, geralmente, trabalham em lugares com menos recursos, distantes e com jornadas intensas.
Violência
Já dados do Conselho Federal de Medicina (CFM), todo dia, nove médicos sofrem violência no local de trabalho. De acordo com o levantamento, 38 mil boletins de ocorrência foram registrados entre 2013 e 2024, no Brasil, que incluem ameaças, lesão corporal, injúria, calúnia, difamação e furto.
Embora não tenha sido um dos focos da pesquisa, a violência contribui (e muito) para estresse e, consequentemente, para a qualidade de vida desses profissionais.
O que fazer
Não é fácil controlar o estresse, mas é possível ajudar a minimizá-lo. Uma das formas é evitar cargas de trabalho acima de 60 horas, em especial se o local de trabalho não oferece uma estrutura adequada, que permita atender às exigências.
Médicos também precisam ser cuidados, física e psicologicamente. Por isso, ações que incentivem uma alimentação saudável, prática de atividade física e acompanhamento psicológico são essenciais para baixar o estresse e aumentar a qualidade de vida.


