A inteligência artificial (IA) já deixou de ser novidade entre estudantes de medicina. Pesquisas recentes mostram que essas ferramentas estão entrando não apenas nos estudos, mas também em atividades relacionadas ao raciocínio clínico.
Estudos realizados em alguns países ajudam a dimensionar esse cenário.
Entre estudantes no Mato Grosso. Essas ferramentas estão sendo incorporadas ao aprendizado e os próprios alunos enxergam essa integração.
Entre estudantes de medicina em São Paulo, a relação com a IA combina familiaridade, interesse e dúvidas sobre sua aplicação na prática médica.
No Canadá, a pesquisa mostra que o uso de modelos de linguagem já alcança também questões clínicas.
Nos Estados Unidos, a pesquisa chama atenção especialmente para a frequência com que as respostas são verificadas.
Na Turquia, Os dados também revelam preocupações com o risco de dependência da tecnologia.
Never-skilling
É nesse contexto que especialistas da Nature Medicine alertam para o “never-skilling”: o risco de recorrer à IA antes de desenvolver competências essenciais de julgamento clínico. A recomendação é construir primeiro uma base de raciocínio independente, aprender a avaliar criticamente as respostas e integrar a tecnologia à prática sob supervisão.
Isso não significa afastar a IA da formação. Na China, um estudo com 372 estudantes de medicina, supervisionados durante 12 meses, mostrou que uma maior participação no uso de sistemas de apoio ao diagnóstico por IA esteve associada a níveis mais altos de alfabetização nessa tecnologia e de pensamento crítico ao longo do período.
Na balança
O desafio não é impedir o seu uso, mas formar médicos capazes de utilizá-la sem “terceirizar” o próprio raciocínio. A IA é uma poderosa ferramenta para complementar o aprendizado, e não para substituí-lo. Afinal, a experiência é quem constrói o olhar clínico.


