A inteligência artificial (IA) já deixou de ser novidade entre estudantes de medicina. Pesquisas recentes mostram que essas ferramentas estão entrando não apenas nos estudos, mas também em atividades relacionadas ao raciocínio clínico.
Estudos realizados em alguns países ajudam a dimensionar esse cenário.
No Brasil
Entre estudantes do Centro Universitário da Várzea Grande (MT), essas ferramentas estão sendo incorporadas ao aprendizado e os próprios alunos enxergam essa integração.
Já para estudantes da Faculdade de Medicina Albert Einsten (SP), a relação com a IA combina familiaridade, interesse e dúvidas sobre sua aplicação na prática médica.
No mundo
No Canadá, a pesquisa mostra que o uso de modelos de linguagem já alcança também questões clínicas.
Enquanto nos Estados Unidos, o uso do ChatGPT também é expressivo. A pesquisa chama a atenção, especialmente, para a frequência com que as respostas são verificadas.
Por fim, na Turquia, um levantamento de grande abrangência mostra que a IA já ocupa espaço relevante na educação médica. Os dados também revelam preocupações com o risco de dependência excessiva da tecnologia.
Confira abaixo as principais respostas.
Never-skilling
É nesse contexto que especialistas da Nature Medicine alertam para o “never-skilling”: o risco de recorrer à IA antes de desenvolver competências essenciais de julgamento clínico. A recomendação é construir primeiro uma base de raciocínio independente, aprender a avaliar criticamente as respostas e integrar a tecnologia à prática sob supervisão.
Isso não significa afastar a IA da formação. Na China, um estudo com 372 estudantes de medicina, supervisionados durante 12 meses, mostrou que uma maior participação no uso de sistemas de apoio ao diagnóstico por IA esteve associada a níveis mais altos de alfabetização nessa tecnologia e de pensamento crítico ao longo do período.
O desafio não é impedir o seu uso, mas formar médicos capazes de utilizá-la sem “terceirizar” o próprio raciocínio. A IA é uma poderosa ferramenta para complementar o aprendizado, e não para substituí-lo. Afinal, a experiência é quem constrói o olhar clínico.
Fontes:







