No final de 1967, a medicina mostrou que, com estudo, pesquisa e técnica, quase nada é impossível. Na Cidade do Cabo, na África do Sul, o cirurgião Christiaan Barnard e sua equipe realizaram, pela primeira vez, um transplante de coração entre humanos.
O paciente viveu por 18 dias após a cirurgia, mas o procedimento comprovou a viabilidade técnica de substituir um coração humano, chamando a atenção de equipes de saúde especialistas na área do mundo todo.
Registros históricos mostram que, em 1967, Euryclides de Jesus Zerbini já se preparava para realizar um transplante cardíaco e chegou perto de fazê-lo em duas ocasiões.
Após o procedimento de Barnard, isso foi intensificado e, em maio de 1968, as equipes lideradas por Zerbini realizaram o primeiro transplante de coração do Brasil e da América Latina, colocando a medicina brasileira entre as experiências pioneiras da cirurgia cardíaca mundial.
O receptor foi João Ferreira da Cunha, o João Boiadeiro, que faleceu 28 dias depois por rejeição ao órgão. Assim, naquele momento, um dos grandes desafios não era apenas transplantar o coração, mas controlar a rejeição do novo órgão.
Em setembro de 1968, Ugo Orlandi, foi o segundo paciente transplantado pela equipe de Zerbini. Ele viveu cerca de 15 meses após o procedimento e em boas condições clínicas durante boa parte desse período.
Os transplantes de 1968 no Brasil e a história de Zerbini comprovam que grandes avanços da medicina começam antes da cirurgia, são construídos no estudo, na pesquisa, na troca entre profissionais e, principalmente, na preparação das equipes.
Mais de meio século depois, tecnologias e procedimentos mudaram muito, mas o propósito permanece: para transformar conhecimento em cuidado, é preciso aprender, treinar e praticar.
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