Uma terapia personalizada contra o câncer alcançou resultados positivos em um estudo de fase 3, em 1.137 pacientes com melanoma cutâneo de alto risco que já haviam passado pela retirada completa do tumor.
O intismeran autogene, desenvolvido pela Moderna e pela Merck, usa RNA mensageiro (mRNA) para levar às células instruções sobre a produção de proteínas específicas, ajudando o sistema imunológico a reconhecer melhor as características do tumor e reagir contra ele.
Sob medida
O processo envolve a análise de uma amostra do tumor de cada paciente para identificar mutações próprias daquele câncer. Com essas informações, é produzido um mRNA personalizado, capaz de codificar até 34 características das células tumorais (neoantígenos) que podem ajudar o sistema imunológico a reconhecê-las como alvo.
O mRNA, então, é combinado ao pembrolizumabe, uma imunoterapia que ajuda o sistema imunológico a combater as células cancerígenas.
Resultados
Os participantes receberam intismeran + pembrolizumabe ou apenas pembrolizumabe após a cirurgia. Segundo os primeiros dados divulgados, a combinação aumentou de forma significativa o tempo sem retorno da doença e o tempo sem aparecimento de metástases.
É o primeiro resultado positivo de fase 3 para esses dois tipos de terapia contra o câncer: individualizada de neoantígenos e baseada em mRNA.
Tratamento experimental
Os resultados apresentados ainda são os iniciais. O detalhamento completo deve ser apresentado pela Moderna e pela Merck no ESMO Congress 2026, que acontece de 23 a 27 de outubro, em Madri, na Espanha. No entanto, o acompanhamento aos pacientes continua, inclusive para avaliar a sobrevida ao longo do tempo.
Outra boa notícia é que a tecnologia está sendo estudada para outros tipos de câncer, como pulmão, rim e bexiga.
A estratégia reforça um caminho cada vez mais presente na oncologia: usar as características do próprio tumor para desenvolver tratamentos mais personalizados e direcionados.
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